Um artigo de Diertmar Schmidtbleicher com tradução de Pedro Mil-Homens.
1. Métodos de Treino
para a Hipertrofia Muscular
Os efeitos do treino com
estes métodos, para um período máximo de 10 a 12 semanas com quatro sessões
semanais, consistem essencialmente em incrementos da massa muscular,
acompanhados por pequenas adaptações nervosas. Por estas razões, este tipo de
métodos conduzem a um aumento da força máxima.
A dinâmica da carga destes
métodos caracteriza-se por um elevado número de séries e repetições com cargas sub-máximas (60 – 80%). A execução do movimento deve iniciar-se mais rápida e
terminar mais lentamente, com uma componente de fadiga muscular.
Tabela 1 – Métodos de Hipertrofia Muscular
MÉTODOS
INTENSIDADE REPETIÇÕES SÉRIES RECUP.
Método da Carga Constante
80% 8 a 10 3 a
5 3’
Método da Carga
Progressiva 70-80-90-95% 12-10-7-5 1-2-3-4 2’
Método Culturista
Extensivo 60 a
70% 15 a 20 3 a 5
2’
Método Culturista
Intensivo 85 a 95% 8 a 5 3 a
5 3’
Método Isocinético
70% 15 3 3’
1 – Método Standard I
(Cargas Constantes): Com uma carga de 80%, são efectuadas 3 a 5 séries de 8 a 10
repetições, com uma recuperação de 3 minutos.
2 – Método Standard II
(Cargas Progressivas): Da primeira para a última série o número de repetições
diminui. Frequentemente as últimas repetições de uma série requerem a ajuda de
um companheiro para serem realizadas.
3 – Método Culturista I
(Extensivo): Este “clássico” método é muito usado com o objectivo de causar uma
total depleção energética no músculo.
4 – Método Culturista II
(Intensivo): Com este método consegue-se uma total depleção energética,
sobretudo das fibras de contracção rápida.
NOTA: Ambos os métodos
culturistas têm por objectivo a sobrecarga total e a depleção das reservas
energéticas do músculo. O número de séries e de repetições requerido só pode ser
conseguido com a ajuda de um colega. Diferentes estratégias, tais como as
repetições forçadas, repetições negativas, super-séries, séries “a queimar”, ou
a utilização do princípio da pré-exaustão, servem para induzir um longo e
intenso estímulo de treino.
5 – Método isocinético: O
treino isocinético só pode ser realizado com o auxílio de um equipamento que
permita resistências acomodativas em todos os ângulos articulares e ao mesmo
tempo uma velocidade constante. Em função do tipo de máquina, assim se poderá
realizar trabalho concêntrico e/ou excêntrico. O treino isocinético
caracteriza-se por um estímulo longo e uma baixa velocidade de execução. Em
modalidades como o remo, canoagem e natação, em que os seus movimentos são
“quase isocinèticos”, as máquinas isocinéticas são frequentemente utilizadas no
processo de treino normal. Nas outras modalidades, especialmente nos eventos de
potência, o treino isocinético deve ser restringido à fase inicial de
preparação. 2.
Métodos de Treino
para a Taxa de Produção de Força
Este tipo de métodos produz
adaptações neuromusculares acompanhadas de ganhos mínimos de massa muscular. As
melhores adaptações ocorrem após cerca de 6 a 8 semanas de treino com 4 sessões
semanais. Estes métodos contribuem para um incremento da Taxa de Produção de
Força (TPF) e para um aumento da activação nervosa, de forma a melhorar a
utilização de todo o potencial do músculo, sem aumento significativo da massa
muscular ou peso corporal.
As características principais
deste tipo de método são as seguintes:
-
Contracções musculares extremamente rápidas com
cargas próximas do máximo, ou no caso do trabalho excêntrico, com cargas
supra-máximas.
-A
eventual dificuldade de atletas e treinadores entenderem o pedido de um ritmo de
execução explosivo, o que poderá esclarecer-se se diferenciarmos entre
“velocidade de contracção” e “velocidade de movimento”. A velocidade de
contracção deve ser máxima, apesar da velocidade de movimento ser reduzida, pelo
facto da carga ser muito elevada.
Estes métodos enfatizam a
resposta neural, pelo que devem ser realizados após um intenso aquecimento e em
ausência de fadiga, sendo cada contracção realizada o mais rapidamente possível.
Tabela 2 – Métodos da Taxa de produção de
Força
MÉTODOS
INTENSIDADE
REPETIÇÕES SÉRIES
RECUP.
Método da Quase Máximo
90-95-97-100% 3-1-1-1+1 1-2-3-4+5 3’ a
5’
Método Concêntrico
Máximo 100% 1 5
3’ a 5’
Método Excêntrico
Máximo 150% 5
3 3’
Método Conc./Exc.
Máximo 70 a 90% 6 a 8 3 a
5 5’
Método Isocinético
70% 15 3
3’
1 – Método das Contracções
Concêntricas “Quase Máximas”: A organização mais comum passa pela utilização de
uma pirâmide muito estreita. Neste caso, na última série faz-se uma tentativa
para melhorar o máximo anterior, devendo o princípio da sobrecarga estar sempre
presente na organização de cada sessão de treino.
Alguns treinadores e atletas
preferem, em vez da utilização da pirâmide, realizar 3 séries de 3 repetições
com 90% do máximo. O intervalo de repouso em todos estes métodos deve ser de 5
minutos para o músculo envolvido no exercício. Outros grupos musculares podem
ser treinados durante o intervalo.
2 – Método Concêntrico
Máximo: Este método é apenas recomendado para atletas muito experientes e muito
bem treinados. Foi introduzido pelos halterofilistas búlgaros. Tentativas para
melhorar as “performances” , são realizadas em todas as sessões de treino. No
caso da halterofilia, a coincidência entre o movimento de treino e de competição
faz deste método algo muito útil.
3 – Método Excêntrico Máximo:
A carga a utilizar em esforços excêntricos deve ser sempre “supra-máxima”, com
excepção, naturalmente das situações de reabilitação. Contudo, ela não deve
exceder 150% da força isométrica máxima. Os colegas do atleta que está a treinar
devem ajudar na elevação da carga durante a fase concêntrica, dispensando deste
modo a necessidade de equipamentos especiais. De qualquer forma, o atleta deve
usar a carga máxima que for capaz de suportar. Em desportos que requeiram hiperextensões (lançamento do dardo, remato de andebol, remate de voleibol,
etc.), a resistência a utilizar deve ser apenas ligeiramente superior ao máximo
(100%) e os exercícios sempre realizados com auxílio dos companheiros.
4 – Método
Concêntrico/Excêntrico Máximo: Este método de treino combina a superioridade das
contracções concêntricas máximas no desenvolvimento da Taxa de Produção de
Força, com a possibilidade de induzir sobrecargas máximas dada pelas contracções
excêntricas. A sua técnica de execução requer a desaceleração da barra na fase
excêntrica (barra quase em queda livre) e a sua rápida aceleração no período de
tempo mais curto possível. Este tipo de método é particularmente utilizado em
exercícios como o supino e o arranque, proibindo as pausas entre as repetições.
Os saltadores em altura da Alemanha utilizam este método, o qual, tem dado bons
resultados. Este tipo de treino não deve ser confundido com uma combinação de
treino excêntrico e concêntrico, tal como descrito por Kaneto e colaboradores
(1984).
3.Métodos
Mistos
Todos os métodos mistos têm
por objectivo desenvolver a força máxima e a Taxa de Produção de Força no seio
de um mesmo programa de treino. Usualmente estes métodos utilizam uma pirâmide
completa começando com cargas de 70% e aumentando progressivamente de série para
série até atingir os 100%, para depois voltar aos 70%, de forma regressiva.
A experiência da sua
aplicação mostrou que são passíveis de utilizar com atletas mais jovens e em
programas de reabilitação. Em atletas de alto rendimento podem ocorrer algumas
dificuldades com a aplicação destes procedimentos de treino: se o atleta começa
com uma carga baixa e com muitas repetições na primeira série, a fadiga nervosa
instala-se antes de se realizarem as séries que visam trabalhar a Taxa de
Produção de Força. Se o procedimento for o inverso, ou seja, começar o treino
com contracções máximas, isso condicionará concentrações muito altas de
lactato, durante as séries consecutivas com cargas baixas e muitas repetições,
reduzindo desta forma os efeitos das adaptações nervosas.
Para períodos de tempo semelhantes, uma fase de treino de hipertrofia seguida de
uma fase dedicada ao treino da Taxa de Produção de Força, produz melhores
efeitos do que a utilização de métodos mistos.
4.
Métodos para o Ciclo Muscular de Alongamento – Encurtamento (CMAE)
Tal como pode ser mostrado
empiricamente, existem diferenças básicas entre CMAE rápidos e lentos, não
apenas no que diz respeito a uma análise de factores, mas também no que concerne
as experiências de aprendizagem e de adaptações provocadas pelo treino (Golhofer
1987; Schmidtbleicher 1988; Baversfeld 1989).
Todos os métodos reactivos
têm por objectivo promover adaptações do sistema nervoso, devendo por isso ser
sempre realizados com ausência de fadiga. Os exercícios mais simples e menos
exigentes (saltos a dois pés e multisaltos) devem ser realizados com atletas
mais jovens. Particular cuidado deve ser dada à utilização de saltos em
profundidade, face ao risco potencial que lhes está associado. O uso de
sobrecargas, ainda que muito reduzidas, conduz a uma redução da activação
nervosa dos músculos extensores dos membros inferiores e a uma instalação
prematura da fadiga. Para além disso, razões de natureza ortopédica podem ainda
validar o conceito da não utilização de cargas adicionais.
1 – Saltos verticais
repetidos, com dois apoios. Há várias possibilidades:
a)
Ritmo individual.
b)Máxima frequência.
c)Máxima elevação.
Em todas estas três formas de
trabalho reactivo, devem realizar-se 30 repetições com um intervalo de cinco
minutos entre as séries. As três formas de exercício podem ser incluídas na
mesma sessão de treino, já que podem ser realizadas de uma forma fácil e rápida,
sem a necessidade de utilização de material adicional. Se os saltos forem
realizados com um só apoio o número de repetições deve ser reduzido para dez.
2 – As inúmeras formas de
multisaltos (step, hop e combinações)devem ser realizadas em três séries com
vinte repetições por série, com um intervalo para recuperação de cinco minutos.
Uma outra possibilidade é a realização de triplos e pentasaltos em cinco séries
de dez repetições com um intervalo de dez minutos. A distância alcançada é
normalmente utilizada como uma medida do efeito positivo do treino.
3 – O exercícios reactivo
mais importante é o salto em profundidade. Devem ser realizados em três a cinco
séries de dez repetições, com um intervalo de repouso de dez minutos entre cada
série. A altura de queda deve ser individual e deve ser escolhida de forma a que
os calcanhares não toquem no solo durante a fase de contacto com o solo. Estes
procedimentos garantem uma carga individualizada e a possibilidade de
incrementar progressivamente. Os efeitos dos saltos em profundidade é muito
duvidoso se a duração do contacto com o solo for muito longa ou extremamente
curta. O atleta deve pensar que está a saltar numa plataforma muito quente e por
isso a contracção deve ser muito rápida para obter a melhor “performance”
possível. A utilização de superfícies amortecedoras não permite a obtenção dos
efeitos desejados.
5. Recomendações
Práticas para o Treino
Independentemente do método
de treino utilizado, o treinador e o atleta devem registar com rigor o número de
sessões de treino realizadas, a intensidade, o número de repetições e o
intervalo de repouso, de forma a que o objectivo do treino possa ser
estabelecido com precisão. Registar apenas em toneladas o volume total de treino
é insuficiente como informação válida. Um trabalhador pode levantar 2 Kg duas
mil vezes por dia, o que perfaz vinte toneladas por semana, sem que isso conduza
a qualquer adaptação visível. Este facto salienta a importância do Princípio da
Sobrecarga. Todas as semanas de treino, o máximo individual deve ser referido.
Se esta recomendação não for seguida, o treino conduzirá a uma estagnação.
Outra importante recomendação
prende-se com a semelhança entre os exercícios seleccionados e o movimento
competitivo desse atleta. O deslocamento angular e a direcção do movimento devem
ser o mais semelhantes possíveis, de forma a que algum “transfer” possa ocorrer.
Outro erro frequente é a
diminuição drástica ou até supressão do treino de força durante o período
competitivo, Este facto impede a transferência do nível de preparação adquirida
para a performance competitiva, já que grande parte da preparação competitiva
específica tem como objectivo a preparação técnica. Na fase competitiva é
necessária a manutenção dos níveis de força e potência adquiridos, através da
realização de duas sessões semanais de treino. Por outro lado só devemos
interromper o treino de condicionamento cerca de cinco a seis dias antes da
competição. A utilização sofisticada de macro e micro ciclos, permite a obtenção
de picos relativos para competições secundárias, mas devemos ter em consideração
que apenas duas vezes por ano é possível elevar os níveis do atleta ao seu
máximo real.
Com o aumento do número de
unidades de treino semanais dedicadas ao treino da força, deve haver também um
aumento do número de sessões de treino com exercícios de alongamentos, assim
como os procedimentos básicos de fisioterapia.
Com base nos métodos de treino e nas recomendações práticas acima mencionadas, o
atleta e o treinador podem desenvolver procedimentos de treino concretos e
provavelmente um treino mais económico e eficiente.
1. Métodos de Treino
para a Hipertrofia Muscular
Os efeitos do treino com
estes métodos, para um período máximo de 10 a 12 semanas com quatro sessões
semanais, consistem essencialmente em incrementos da massa muscular,
acompanhados por pequenas adaptações nervosas. Por estas razões, este tipo de
métodos conduzem a um aumento da força máxima.
A dinâmica da carga destes
métodos caracteriza-se por um elevado número de séries e repetições com cargas sub-máximas (60 – 80%). A execução do movimento deve iniciar-se mais rápida e
terminar mais lentamente, com uma componente de fadiga muscular.
Tabela 1 – Métodos de Hipertrofia Muscular
MÉTODOS
INTENSIDADE REPETIÇÕES SÉRIES RECUP.
Método da Carga Constante
80% 8 a 10 3 a
5 3’
Método da Carga
Progressiva 70-80-90-95% 12-10-7-5 1-2-3-4 2’
Método Culturista Extensivo
60 a 70% 15 a 20 3 a 5 2’
Método Culturista
Intensivo 85 a 95%
8 a 5
3 a 5 3’
Método Isocinético
70% 15 3 3’
1 – Método Standard I
(Cargas Constantes): Com uma carga de 80%, são efectuadas 3 a 5 séries de 8 a 10
repetições, com uma recuperação de 3 minutos.
2 – Método Standard II
(Cargas Progressivas): Da primeira para a última série o número de repetições
diminui. Frequentemente as últimas repetições de uma série requerem a ajuda de
um companheiro para serem realizadas.
3 – Método Culturista I
(Extensivo): Este “clássico” método é muito usado com o objectivo de causar uma
total depleção energética no músculo.
4 – Método Culturista II
(Intensivo): Com este método consegue-se uma total depleção energética,
sobretudo das fibras de contracção rápida.
NOTA: Ambos os métodos
culturistas têm por objectivo a sobrecarga total e a depleção das reservas
energéticas do músculo. O número de séries e de repetições requerido só pode ser
conseguido com a ajuda de um colega. Diferentes estratégias, tais como as
repetições forçadas, repetições negativas, super-séries, séries “a queimar”, ou
a utilização do princípio da pré-exaustão, servem para induzir um longo e
intenso estímulo de treino.
5 – Método isocinético: O
treino isocinético só pode ser realizado com o auxílio de um equipamento que
permita resistências acomodativas em todos os ângulos articulares e ao mesmo
tempo uma velocidade constante. Em função do tipo de máquina, assim se poderá
realizar trabalho concêntrico e/ou excêntrico. O treino isocinético
caracteriza-se por um estímulo longo e uma baixa velocidade de execução. Em
modalidades como o remo, canoagem e natação, em que os seus movimentos são
“quase isocinèticos”, as máquinas isocinéticas são frequentemente utilizadas no
processo de treino normal. Nas outras modalidades, especialmente nos eventos de
potência, o treino isocinético deve ser restringido à fase inicial de
preparação. 2.
Métodos de Treino
para a Taxa de Produção de Força
Este tipo de métodos produz
adaptações neuromusculares acompanhadas de ganhos mínimos de massa muscular. As
melhores adaptações ocorrem após cerca de 6 a 8 semanas de treino com 4 sessões
semanais. Estes métodos contribuem para um incremento da Taxa de Produção de
Força (TPF) e para um aumento da activação nervosa, de forma a melhorar a
utilização de todo o potencial do músculo, sem aumento significativo da massa
muscular ou peso corporal.
As características principais
deste tipo de método são as seguintes:
-
Contracções musculares extremamente rápidas com
cargas próximas do máximo, ou no caso do trabalho excêntrico, com cargas
supra-máximas.
-A
eventual dificuldade de atletas e treinadores entenderem o pedido de um ritmo de
execução explosivo, o que poderá esclarecer-se se diferenciarmos entre
“velocidade de contracção” e “velocidade de movimento”. A velocidade de
contracção deve ser máxima, apesar da velocidade de movimento ser reduzida, pelo
facto da carga ser muito elevada.
Estes métodos enfatizam a
resposta neural, pelo que devem ser realizados após um intenso aquecimento e em
ausência de fadiga, sendo cada contracção realizada o mais rapidamente possível.
Tabela 2 – Métodos da Taxa de produção de
Força
MÉTODOS INTENSIDADE REPETIÇÕES
SÉRIES RECUP.
Método da Quase Máximo
90-95-97-100% 3-1-1-1+1 1-2-3-4+5 3’ a
5’
Método Concêntrico
Máximo 100% 1 5
3’ a 5’
Método Excêntrico
Máximo 150% 5 3 3’
Método Conc./Exc.
Máximo 70 a 90% 6
a 8 3 a
5 5’
Método Isocinético
70% 15 3
3’
1 – Método das Contracções
Concêntricas “Quase Máximas”: A organização mais comum passa pela utilização de
uma pirâmide muito estreita. Neste caso, na última série faz-se uma tentativa
para melhorar o máximo anterior, devendo o princípio da sobrecarga estar sempre
presente na organização de cada sessão de treino.
Alguns treinadores e atletas
preferem, em vez da utilização da pirâmide, realizar 3 séries de 3 repetições
com 90% do máximo. O intervalo de repouso em todos estes métodos deve ser de 5
minutos para o músculo envolvido no exercício. Outros grupos musculares podem
ser treinados durante o intervalo.
2 – Método Concêntrico
Máximo: Este método é apenas recomendado para atletas muito experientes e muito
bem treinados. Foi introduzido pelos halterofilistas búlgaros. Tentativas para
melhorar as “performances” , são realizadas em todas as sessões de treino. No
caso da halterofilia, a coincidência entre o movimento de treino e de competição
faz deste método algo muito útil.
3 – Método Excêntrico Máximo:
A carga a utilizar em esforços excêntricos deve ser sempre “supra-máxima”, com
excepção, naturalmente das situações de reabilitação. Contudo, ela não deve
exceder 150% da força isométrica máxima. Os colegas do atleta que está a treinar
devem ajudar na elevação da carga durante a fase concêntrica, dispensando deste
modo a necessidade de equipamentos especiais. De qualquer forma, o atleta deve
usar a carga máxima que for capaz de suportar. Em desportos que requeiram hiperextensões (lançamento do dardo, remato de andebol, remate de voleibol,
etc.), a resistência a utilizar deve ser apenas ligeiramente superior ao máximo
(100%) e os exercícios sempre realizados com auxílio dos companheiros.
4 – Método
Concêntrico/Excêntrico Máximo: Este método de treino combina a superioridade das
contracções concêntricas máximas no desenvolvimento da Taxa de Produção de
Força, com a possibilidade de induzir sobrecargas máximas dada pelas contracções
excêntricas. A sua técnica de execução requer a desaceleração da barra na fase
excêntrica (barra quase em queda livre) e a sua rápida aceleração no período de
tempo mais curto possível. Este tipo de método é particularmente utilizado em
exercícios como o supino e o arranque, proibindo as pausas entre as repetições.
Os saltadores em altura da Alemanha utilizam este método, o qual, tem dado bons
resultados. Este tipo de treino não deve ser confundido com uma combinação de
treino excêntrico e concêntrico, tal como descrito por Kaneto e colaboradores
(1984).
3.Métodos
Mistos
Todos os métodos mistos têm
por objectivo desenvolver a força máxima e a Taxa de Produção de Força no seio
de um mesmo programa de treino. Usualmente estes métodos utilizam uma pirâmide
completa começando com cargas de 70% e aumentando progressivamente de série para
série até atingir os 100%, para depois voltar aos 70%, de forma regressiva.
A experiência da sua
aplicação mostrou que são passíveis de utilizar com atletas mais jovens e em
programas de reabilitação. Em atletas de alto rendimento podem ocorrer algumas
dificuldades com a aplicação destes procedimentos de treino: se o atleta começa
com uma carga baixa e com muitas repetições na primeira série, a fadiga nervosa
instala-se antes de se realizarem as séries que visam trabalhar a Taxa de
Produção de Força. Se o procedimento for o inverso, ou seja, começar o treino
com contracções máximas, isso condicionará concentrações muito altas de
lactato, durante as séries consecutivas com cargas baixas e muitas repetições,
reduzindo desta forma os efeitos das adaptações nervosas.
Para períodos de tempo semelhantes, uma fase de treino de hipertrofia seguida de
uma fase dedicada ao treino da Taxa de Produção de Força, produz melhores
efeitos do que a utilização de métodos mistos.
4.
Métodos para o Ciclo Muscular de Alongamento – Encurtamento (CMAE)
Tal como pode ser mostrado
empiricamente, existem diferenças básicas entre CMAE rápidos e lentos, não
apenas no que diz respeito a uma análise de factores, mas também no que concerne
as experiências de aprendizagem e de adaptações provocadas pelo treino (Golhofer
1987; Schmidtbleicher 1988; Baversfeld 1989).
Todos os métodos reactivos
têm por objectivo promover adaptações do sistema nervoso, devendo por isso ser
sempre realizados com ausência de fadiga. Os exercícios mais simples e menos
exigentes (saltos a dois pés e multisaltos) devem ser realizados com atletas
mais jovens. Particular cuidado deve ser dada à utilização de saltos em
profundidade, face ao risco potencial que lhes está associado. O uso de
sobrecargas, ainda que muito reduzidas, conduz a uma redução da activação
nervosa dos músculos extensores dos membros inferiores e a uma instalação
prematura da fadiga. Para além disso, razões de natureza ortopédica podem ainda
validar o conceito da não utilização de cargas adicionais.
1 – Saltos verticais
repetidos, com dois apoios. Há várias possibilidades:
a)
Ritmo individual.
b)Máxima frequência.
c)Máxima elevação.
Em todas estas três formas de
trabalho reactivo, devem realizar-se 30 repetições com um intervalo de cinco
minutos entre as séries. As três formas de exercício podem ser incluídas na
mesma sessão de treino, já que podem ser realizadas de uma forma fácil e rápida,
sem a necessidade de utilização de material adicional. Se os saltos forem
realizados com um só apoio o número de repetições deve ser reduzido para dez.
2 – As inúmeras formas de
multisaltos (step, hop e combinações)devem ser realizadas em três séries com
vinte repetições por série, com um intervalo para recuperação de cinco minutos.
Uma outra possibilidade é a realização de triplos e pentasaltos em cinco séries
de dez repetições com um intervalo de dez minutos. A distância alcançada é
normalmente utilizada como uma medida do efeito positivo do treino.
3 – O exercícios reactivo
mais importante é o salto em profundidade. Devem ser realizados em três a cinco
séries de dez repetições, com um intervalo de repouso de dez minutos entre cada
série. A altura de queda deve ser individual e deve ser escolhida de forma a que
os calcanhares não toquem no solo durante a fase de contacto com o solo. Estes
procedimentos garantem uma carga individualizada e a possibilidade de
incrementar progressivamente. Os efeitos dos saltos em profundidade é muito
duvidoso se a duração do contacto com o solo for muito longa ou extremamente
curta. O atleta deve pensar que está a saltar numa plataforma muito quente e por
isso a contracção deve ser muito rápida para obter a melhor “performance”
possível. A utilização de superfícies amortecedoras não permite a obtenção dos
efeitos desejados.
5. Recomendações
Práticas para o Treino
Independentemente do método
de treino utilizado, o treinador e o atleta devem registar com rigor o número de
sessões de treino realizadas, a intensidade, o número de repetições e o
intervalo de repouso, de forma a que o objectivo do treino possa ser
estabelecido com precisão. Registar apenas em toneladas o volume total de treino
é insuficiente como informação válida. Um trabalhador pode levantar 2 Kg duas
mil vezes por dia, o que perfaz vinte toneladas por semana, sem que isso conduza
a qualquer adaptação visível. Este facto salienta a importância do Princípio da
Sobrecarga. Todas as semanas de treino, o máximo individual deve ser referido.
Se esta recomendação não for seguida, o treino conduzirá a uma estagnação.
Outra importante recomendação
prende-se com a semelhança entre os exercícios seleccionados e o movimento
competitivo desse atleta. O deslocamento angular e a direcção do movimento devem
ser o mais semelhantes possíveis, de forma a que algum “transfer” possa ocorrer.
Outro erro frequente é a
diminuição drástica ou até supressão do treino de força durante o período
competitivo, Este facto impede a transferência do nível de preparação adquirida
para a performance competitiva, já que grande parte da preparação competitiva
específica tem como objectivo a preparação técnica. Na fase competitiva é
necessária a manutenção dos níveis de força e potência adquiridos, através da
realização de duas sessões semanais de treino. Por outro lado só devemos
interromper o treino de condicionamento cerca de cinco a seis dias antes da
competição. A utilização sofisticada de macro e micro ciclos, permite a obtenção
de picos relativos para competições secundárias, mas devemos ter em consideração
que apenas duas vezes por ano é possível elevar os níveis do atleta ao seu
máximo real.
Com o aumento do número de
unidades de treino semanais dedicadas ao treino da força, deve haver também um
aumento do número de sessões de treino com exercícios de alongamentos, assim
como os procedimentos básicos de fisioterapia.
Com base nos métodos de treino e nas recomendações práticas acima mencionadas, o
atleta e o treinador podem desenvolver procedimentos de treino concretos e
provavelmente um treino mais económico e eficiente.