Final da
prova dos 110 metros barreiras masculinos nos Campeonatos da Europa de Budapeste
em 1998
Class.
1º 2º 3º 4º 5º
6º 7º 8º
Marca 13.02
13.12 13.20 13.23 13.29 13.32 13.38 13.54
Atleta
C.Jackson F.Balzer R.Korving
Schwarhoff A.Kohutek A.Jarrett M.Fenner J.N’senga
País GBR
GER NED GER POL GBR GER BEL
Ano
67 73 74 68 71 68
71 73
tempos intermédios a cada barreira
1ª barr. 2.56
2.60 2.60 2.59 2.60 2.58 2.61
2.62
2ª barr. 3.58
3.62 3.62 3.64 3.62 3.61 3.63
3.66
3ª barr. 4.60
4.63 4.66 4.68 4.65 4.66 4.68
4.71
4ª barr. 5.58
5.64 5.67 5.68 5.67 5.69 5.72
5.76
5ª barr. 6.59
6.67 6.68 6.70 6.67 6.74 6.74
6.81
6ª barr. 7.59
7.67 7.70 7.70 7.70 7.74 7.77
7.83
7ª barr. 8.57
8.68 8.70 8.71 8.72 8.74 8.82
8.87
8ª barr. 9.59
9.68 9.72 9.75 9.73 9.76 9.85
9.94
9ª barr. 10.63
10.71 10.77 10.78 10.75 10.80 10.88 11.02
10ª barr. 11.69
11.77 11.81 11.83 11.83 11.89 11.97 12.12
Meta 13.02
13.12 13.20 13.23 13.29 13.32 13.38 13.54
tempos parciais entre cada barreira
1ª/2ª barr. 1.02
1.02 1.02 1.05 1.02 1.03 1.02 1.04
2ª/3ª barr. 1.02
1.01 1.04 1.04 1.03 1.05 1.05 1.05
3ª/4ª barr. 0.98
1.01 1.01 1.00 1.02 1.03 1.04 1.05
4ª/5ª barr. 1.01
1.03 1.01 1.02 1.00 1.05 1.02 1.05
5ª/6ª barr. 1.00
1.00 1.02 1.00 1.03 1.00 1.03 1.02
6ª/7ª barr. 0.98
1.01 1.00 1.01 1.02 1.00 1.05 1.04
7ª/8ª barr. 1.02
1.00 1.02 1.04 1.01 1.02 1.03 1.07
8ª/9ª barr. 1.04
1.03 1.05 1.03 1.02 1.04 1.03 1.08
9ª/10ª barr. 1.06
1.06 1.04 1.05 1.08 1.09 1.09 1.10
10ª/ meta 1.33
1.35 1.39 1.40 1.46 1.43 1.41 1.42
tempos parciais entre as três principais fases
da corrida
1ª/4ª barr. 3.02
3.04 3.07 3.09 3.07 3.11 3.11 3.14
4ª/7ª barr. 2.99
3.04 3.03 3.03 3.05 3.05 3.10 3.11
7ª/10ª barr. 3.12
3.09 3.11 3.12 3.11 3.15 3.15 3.25
Final da prova dos 100 metros
barreiras femininos dos Campeonatos da Europa de Budapeste de 1998
Class.
1ª 2ª 3ª 4ª 5ª
6ª 7ª 8ª
Marca 12.56
12.65 12.85 12.87 12.89 13.02 13.15 13.21
Atleta
S.Dimitrova B.Bukovec L.Korotya
Ramalalarina P.Girard H.Blassneck J.Baumann L.Ferga
País BUL
SLO RUS FRA FRA GER SUI FRA
Ano
70 70 75 72 68 71
64 76
tempos intermédios a cada barreira
1ª barr. 2.59
2.59 2.61 2.59 2.58 2.62 2.57 2.70
2ª barr. 3.61
3.60 3.66 3.63 3.59 3.66 3.61 3.71
3ª barr. 4.61
4.59 4.68 4.67 4.58 4.68 4.66 4.75
4ª barr. 5.59
5.54 5.67 5.66 5.59 5.70 5.71 5.77
5ª barr. 6.53
6.50 6.66 6.60 6.60 6.69 6.70 6.78
6ª barr. 7.46
7.47 7.63 7.61 7.58 7.74 7.74 7.77
7ª barr. 8.44
8.43 8.65 8.61 8.56 8.74 8.75 8.83
8ª barr. 9.45
9.42 9.68 9.63 9.57 9.75 9.77 9.87
9ª barr. 10.43
10.45 10.70 10.66 10.60 10.79 10.79 10.92
10ª barr. 11.42
11.50 11.75 11.73 11.64 11.87 11.85 11.99
Meta 12.56
12.65 12.85 12.87 12.89 13.02 13.15 13.21
tempos parciais entre cada barreira
1ª/2ª barr. 1.02
1.01 1.05 1.04 1.01 1.04 1.04 1.01
2ª/3ª barr. 1.00
0.99 1.02 1.04 0.99 1.02 1.05 1.04
3ª/4ª barr. 0.98
0.95 0.99 0.99 1.01 1.02 1.05 1.02
4ª/5ª barr. 0.94
0.96 0.99 0.94 1.01 0.99 0.99 1.01
5ª/6ª barr. 0.93
0.97 0.97 1.01 0.98 1.05 1.04 0.99
6ª/7ª barr. 0.98
0.96 1.02 1.00 0.98 1.00 1.01 1.06
7ª/8ª barr. 1.01
0.99 1.03 1.02 1.01 1.01 1.02 1.05
8ª/9ª barr. 0.98
1.03 1.02 1.03 1.03 1.04 1.02 1.05
9ª/10ª barr. 0.99
1.05 1.05 1.07 1.04 1.08 1.06 1.07
10ª/ meta 1.14
1.15 1.10 1.14 1.25 1.15 1.30 1.23
tempos parciais entre as três principais
fases da corrida
1ª/4ª barr. 3.00
2.95 3.06 3.07 3.01 3.08 3.14 3.07
4ª/7ª barr. 2.85
2.89 2.98 2.95 2.97 3.04 3.04 3.06
7ª/10ª barr. 2.98
3.07 3.10 3.12 3.08 3.13 3.10 3.16
Se analisarmos os quadros
com os tempos parciais entre cada barreira, dos oito finalistas das provas de
barreiras altas - os 110 metros barreiras masculinos e os 100 metros barreiras
femininos - dos últimos Campeonatos da Europa de atletismo, disputados em
Budapeste em 1998, podemos tirar as seguintes conclusões:
- A maior parte dos atletas consegue manter uma aceleração até à quinta, sexta
barreira, onde em média, conseguem atingir os melhores resultados entre as
barreiras.
- Fazendo uma média entre os oito finalistas, verificamos que os homens atingem
o melhor resultado à sexta barreira (1.013 segundos) e as senhoras à quinta
barreira (0.979 segundos).
- A curva da velocidade média dos oito atletas masculinos mostra que há uma
aceleração até à sexta barreira, embora seja uma aceleração pouco significativa
e bastante irregular.
- A curva da velocidade média das oito atletas femininas mostra que há uma
aceleração muito significativa e constante até à quinta barreira, onde se atinge
um resultado muito superior ao da prova masculina.
- Em ambas as provas, os atletas conseguem manter um nível de velocidade elevado
até à sétima barreira, começando depois a perderem velocidade progressivamente,
principalmente entre a nona e a décima barreira.
- Esta diferença entre a prova masculina e a prova feminina deve-se
essencialmente à altura das barreiras, mais altas nos homens (1.06 metros) e
mais baixas nas senhoras (0.84 metros), que conseguem assim perder menos
velocidade na passagem das barreiras e consequentemente, uma aceleração
constante até níveis significativamente mais elevados que os homens, que têm de
passar barreiras bastante mais altas, que lhes colocam alguns problemas técnicos
e os impedem de conseguir uma aceleração regular e também de atingirem
velocidades tão elevadas.
- Através da, análise das curvas da velocidade entre as barreiras é possível
dividir a prova em três fases distintas, sendo a primeira - entre a primeira e a
quarta barreira (apesar da maior parte dos atletas continuar a acelarar até à
quinta e mesmo à sexta barreira, mas assim facilita porque é possível dividir a
prova em três partes iguais) - a fase de aceleração, pois a velocidade vai
aumentando entre cada barreira. A segunda - entre a quarta e a sétima barreira -
corresponde à fase de velocidade máxima, pois é nesta fase que se atingem os
valores mais rápidos entre as barreiras. A terceira - entre a sétima e a décima
barreira - pode-se considerar a fase da resistência, pois devido à acumulação da
fadiga os atletas vão progressivamente perdendo velocidade a partir da sétima
barreira, sendo esta a fase em que se atingem os valores mais baixos em termos
de velocidade entre as barreiras.
Esta análise e as respectivas conclusões, são importantes para ajudarem a
definir uma filosofia para o treino das barreiras altas, desde as etapas de
formação até ao treino da alta competição. Devido às diferenças existentes entre
a prova masculina e a prova feminina, que já abordámos anteriormente, há que
fazer um tratamento separado de ambas as provas, apesar de logicamente,
existirem muitas semelhanças entre elas. Neste artigo, iremos abordar
principalmente a prova dos 100 metros barreiras femininos que tem as seguintes
características:
- Apesar de ser uma corrida com barreiras, é essencialmente uma prova de
velocidade, e para o confirmar basta verificar que o recorde mundial é de 12.21
segundos, um resultado que a maior parte das velocistas portuguesas tem
dificuldade em realizar nos 100 metros planos.
- Mas ao contrário do que muitos pensam, para se ser uma boa barreirista não é
necessariamente obrigatório ser-se uma grande velocista. Nas provas de
velocidade há dois factores que determinam a performance final, a amplitude e a
frequência da passada. Na prova de barreiras, que estão a 8.50 metros de
distância, a amplitude é idêntica para todas as atletas, sendo os factores
decisivos, a frequência da passada e a velocidade de transposição das barreiras.
- Assim, uma boa barreirista tem essencialmente de possuir uma boa frequência de
passada, que é determinada pela força e pela capacidade de coordenação
neuro-muscular e uma boa velocidade de transposição da barreira, que é
determinada pela força (no momento da impulsão para a barreira e no momento da
recepção) e pela técnica da transposição da barreira.
- Analisando as três fases da corrida, verificamos que uma boa barreirista tem
de ser capaz de acelarar até à primeira barreira e manter uma aceleração
constante até à quinta barreira, o que implica um grande domínio da técnica e um
nível elevado de força, tem de ser capaz de atingir níveis elevados de
velocidade entre barreiras, pelo menos até à sétima barreira, o que para além da
técnica, implica uma boa frequência de passada e por fim, tem de ser capaz de
resistir à fadiga, mantendo um bom nível de desempenho técnico, não perdendo
muito em termos da frequência.
Em resumo, é necessário uma excelente técnica e uma grande capacidade de
frequência de passada, ou seja, a formação e o treino de uma barreirista passa
essencialmente pela aquisição e melhoria da técnica da transposição das
barreiras e pelo desenvolvimento da velocidade, principalmente no que respeita à
frequência. Também determinante, é o desenvolvimento da força e da velocidade de
resistência específica para a prova de barreiras.
Não queremos neste artigo dar receitas de treino, mas sim deixar algumas pistas
que sejam motivo de reflexão, divulgando aquilo que nonosso entender são os “Dez
Mandamentos” para a formação e preparação de uma atleta de barreiras altas.
1 - Desenvolvimento e treino da velocidade através dos exercícios habitualmente
utilizados pelos velocistas e também através de exercícios específicos para a
melhoria da frequência da passada, como por exemplo corridas de velocidade com
marcas no chão para condicionar a amplitude da passada.
2 - Desenvolvimento da coordenação motora, da postura e da técnica de corrida,
através de exercícios variados de técnica de corrida.
3 - Melhorar a qualidade do apoio do pé no chão, na fase de recepção e
principalmente na fase de impulsão, através de exercícios específicos como os “tic-tics”,
os “steps” curtos, os saltitares e os galopes, com ou sem obstáculos ou mesmo o
treino do salto em comprimento.
4 - Na aprendizagem e no treino da técnica de barreiras deve-se dar especial
ênfase à impulsão, pois ela é decisiva para uma boa transposição da barreira. A
impulsão deve ser feita de forma muito dinâmica, com o apoio do pé em “grifée”,
com a extensão completa da perna de impulsão, para que seja possível colocar
rapidamente a bacia do outro lado da barreira. Nesta fase, não se deve ensinar
os atletas a “chutarem” a perna de ataque em direcção à barreira, pois isso
normalmente é sinónimo de uma impulsão imcompleta e com a bacia atrasada.
5 - Outro aspecto que deve merecer um destaque especial na aprendizagem e no
treino da técnica de barreiras, é a recepção após a transposição da barreira.
Aqui, deve-se procurar melhorar os seguintes aspectos:
- a perna de ataque é a primeira a tocar no solo e deve fazê-lo com o apoio em “grifée”,
muito dinâmico e com extensão completa da perna, projectando a bacia para a
frente.
- a perna de trás deve tocar no solo o mais rapidamente possível após a perna de
ataque, também com um apoio muito dinâmico.
- é fundamental ter a preocupação de não se baixar muito o centro de gravidade,
nem de se perder velocidade na saída da barreira, que deve ser feita sem
oscilações laterais, ou seja, no sentido da corrida.
6 - Desenvolvimento e treino da força, principalmente ao nível da força
reactiva, para que o atleta além de melhorar a sua velocidade, esteja em
condições físicas para poder corresponder da melhor maneira às solicitações de
âmbito técnico. Muitas vezes, os atletas ganham defeitos técnicos, devido à
falta de força para executar os movimentos da forma mais correcta.
7 - Realizar todo o trabalho específico de barreiras, quer seja a aprendizagem e
o treino técnico, quer seja o trabalho de ritmo, adaptando a altura das
barreiras àss capacidades dos atletas. Essa altura deverá ser facilitada tanto
ao nível da carreira de um atleta, principalmente nas etapas de formação, mas
também durante a preparação de um atleta sénior, principalmente durante a fase
inicial da época.
Uma altura das barreiras desajustada em relação às capacidades dos atletas, vai
provocar defeitos técnicos, muitas vezes impossíveis de resolver no futuro.
Assim, a altura das provas de barreiras em cada escalão etário, não deverá de
forma nenhuma servir de referência para a altura das barreiras no treino, mas
sim as capacidades de cada atleta.
8 - Tal como a altura, também a distância entre as barreiras deverá ser adaptada
às capacidades dos atletas em cada momento da sua formação ou da sua preparação.
Aqui, a referência deverá ser a velocidade, e a distância entre as barreiras
deverá ser aquela que permita ao atleta correr rápido, sem necessitar de alongar
demasiado a passada - perdendo com isso velocidade - pra conseguir dar os três
passos entre as barreiras. Tal como já referimos, a frequência da passada é
fundamental para um barreirista e correr com uma distância mais curta entre as
barreiras, é um excelente treino para melhorar essa frequência.
9 - Realizar um trabalho específico que vise melhorar a capacidade de aceleração
na prova de barreiras, para permitir às atletas conseguirem acelarar até à
quinta barreira.
Além de ser importante para este trabalho, jogar com a altura e a distância
entre as barreiras, é fundamental treinar muito bem a partida de blocos e a
entrada à primeira barreira. A maioria das atletas não aproveita da melhor forma
as oito passadas de balanço, pois algum receio faz com que abrandem nas duas
últimas passadas. Para corrigir este defeito é necessário arranjar formas de
trabalho que aumentem a velocidade até à primeira barreira, por exemplo
aumenando a corrida de balanço de oito para dez passadas, ou baixando a altura
da primeira barreira
Muitas atletas têm alguma dificuldade de chegar em condições à primeira
barreira, pois esta “dá-lhes longe”, pelo que alargam muito as últimas passadas,
perdendo com isso velocidade. Uma solução para este problema, é fazer as
primeiras quatro passadas após a sáida dos blocos em amplitude, com a
preocupação de “empurrar o chão”, e as restantes quatro passadas com a
preocupação de aumentar a velocidade, chegando assim à primeira barreira sem
problemas e com um aumento progressivo da velocidade.
10 - Realizar uma treino de velocidade de resistência específico para as
barreiras. Normalmente os barreiristas fazem o trabalho de ritmo com as
barreiras e o trabalho de velocidade de resistência é igual ao dos velocistas, o
que é um erro, pois a reacção à fadiga tem de ser feita de forma completamente
diferente. Assim, a maior parte do trabalho de velocidade de resistência de um
barreirista deve ser realizado através de corridas com barreiras, mais uma vez
jogando com a altura e a distância entre as barreiras e neste caso, inclusive
com o ritmo de passadas entre as barreiras que poderá ser de três ou mesmo de
cinco passos.